quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
O TELEMÓVEL DE CONAN OSÍRIS
Letra:
Eu parti o telemóvel
A tentar ligar para o céu
Pra saber se eu mato a saudade
Ou quem morre sou eu
Quem mata quem
Quem mata quem
Mata?
Quem mata quem?
Nem eu sei
Quando eu souber eu não ligo a mais ninguém
Se a vida ligar
Se a vida mandar mensagem
Se ela não parar
E tu não tiveres coragem de atender
Tu já sabes o que é que vai acontecer
Eu vou descer à minha escada
Vou estragar o telemóvel
O telele
Eu vou partir o telemóvel
O teu e o meu
E eu vou estragar o telemóvel
Quero viver e escangalhar o telemóvel
E se eu partir o telemóvel?
Eu só parto aquilo que é meu.
A tentar ligar para o céu
Pra saber se eu mato a saudade
Ou quem morre sou eu
Quem mata quem
Quem mata quem
Mata?
Quem mata quem?
Nem eu sei
Quando eu souber eu não ligo a mais ninguém
Se a vida ligar
Se a vida mandar mensagem
Se ela não parar
E tu não tiveres coragem de atender
Tu já sabes o que é que vai acontecer
Eu vou descer à minha escada
Vou estragar o telemóvel
O telele
Eu vou partir o telemóvel
O teu e o meu
E eu vou estragar o telemóvel
Quero viver e escangalhar o telemóvel
E se eu partir o telemóvel?
Eu só parto aquilo que é meu.
Reflexão do músico Paulo Bastos
Depois
de ver tanta crítica particularmente à letra da música “Telemoveis” do
Conan Osiris, fiquei perplexo! pois considero que esta letra é de longe
um exemplo das melhores que se fazem hoje em dia no universo da música
Pop/Rock, onde atualmente as letras são na sua maioria "receitas de
bolos": textos muito claros e objetivos, desinteressantes sem qualquer
capacidade de surpreender ou promover viagens por histórias nas nossas
mentes. Então para os mais desatentos, que apenas ouviram duas frases da
letra e logo concluíram sumariamente que a letra não presta (pois
utiliza termos/palavras alegadamente pouco interessantes), faço aqui, a
título de exemplo, uma breve explicação (FRASE POR FRASE) de uma das
MUITAS viagens que se pode fazer por esta letra, bastante rica, capaz de
nos levar por mundos onde só a arte penetra:
-------------------------------------------
EU PARTI O TELEMÓVEL
(De tanto uso destruí o telemóvel)
A TENTAR LIGAR PARA O CÉU
(a tentar através dele chegar desesperadamente a um estado de felicidade plena, ao céu/paraíso)
PARA SABER SE EU MATO A SAUDADE
(fiz isso para tentar matar/alhear-me/libertar-me do sofrimento (causado pela saudade extrema) que me traz a vida real)
OU QUEM MORRE SOU EU
(pois se não conseguir matar esse sofrimento/saudade quem morre sou eu, pois não aguento a dor)
QUEM MATA QUEM
(Mas
afinal quem mata quem? o telemóvel matara o sofrimento? o sofrimento
vai-me matar a mim? ou o próprio telemóvel mata-me a mim ao tornar-me
alheado da verdadeira vida real?)
QUEM MATA QUEM MATA?
(Quem mata o que me mata?: quem mata o meu sofrimento? quem mata o telemóvel que me mata/alheia da vida?)
QUEM MATA QUEM?
(Será que eu tenho coragem para matar/deixar o telemóvel? se sim, depois quem mata o meu sofrimento/saudade?)
NEM EU SEI
QUANDO EU SOUBER EU NÃO LIGO A MAIS NINGUÉM
(Quando souber como tudo isto funciona ai sim não precisarei mais de telemóveis)
SE A VIDA LIGAR
SE A VIDA MANDAR MENSAGEM
SE ELA NÃO PARAR
E TU NÃO TIVERES CORAGEM DE ATENDER
TU JÁ SABES O QUE É QUE VAI ACONTECER
EU VOU DESCER À MINHA ESCADA
VOU ESTRAGAR O TELEMÓVEL
(Se
a vida não parar e me trouxer mais problemas mais sofrimento, tenho de
me lembrar que não me posso refugiar no telemóvel, tenho de partir o
telemóvel para não ter a tentação de me refugiar nele)
O TELELE
EU VOU PARTIR O TELEMÓVEL
O TEU E O MEU
E EU VOU ESTRAGAR O TELEMÓVEL
QUERO VIVER E ESCANGALHAR O TELEMÓVEL
(Quero
viver, quero libertar-me deste vício do telemóvel, que me prende e não
me deixar ter emoções reais, não me deixa viver, quero libertar-me,
partir todos os telemóveis, evitar que os outros caiam neste precipício
também)
E SE EU PARTIR O TELEMÓVEL?
EU SÓ PARTO AQUILO QUE É MEU
(Se
partir o telemóvel não vou magoar ninguém, não será nada dramático,
deveria ser algo simples de fazer, só me implica a mim, só depende de
mim)
TOU PRA VER SE A SAUDADE MORRE
(Mas se o partir, a saudade/sofrimento que me levou a refugiar no telemóvel será que não volta?)
VAI NA VOLTA QUEM MORRE SOU EU
(quem
morre se calhar serei eu que já talvez não consiga viver sem o
telemóvel neste momento. Mesmo se conseguisse e se depois o sofrimento
voltasse? sei que não conseguia viver com a dor desse sofrimento)
QUEM MATA QUEM MATA?
(conseguirei eu destruir o telemóvel ou ele e que me vai acabar por matar a mim?)
(Quem mata aquilo que me está a matar, alguem me ajuda?)
(conseguirei eu destruir o telemóvel ou sem ele eu é que morro?)
EU NEM SEI
A CHIBARIA NUNCA VIU NASCER NINGUÉM
(Se-calhar
não conseguirei renascer, não saberei viver sem ele, por outro lado por
causa dele sei que não vou mais conseguir apreciar o que nasce à minha
volta na vida real da qual, por causa dele, estou alheado, a passar ao
lado)
EU PARTIA TELEMÓVEIS
(antes, ria-me dos viciados, eu proprio partia telemoveis, dizia ter coragem para sair deste tipo de vícios)
MAS EU NUNCA MAIS PARTO O MEU
(mas
não estou a conseguir tomar essa decisão agora e partir o telemóvel,
não estou a conseguir sair do vício, que se tornou mais forte que eu)
EU SEI QUE A SAUDADE TÁ MORTA
(sei que a vida real, a vida com emoções reais, vida das memórias reais, está morta para mim enquanto tiver este vício)
(sei
que já não sinto sequer a saudade (ela realmente morreu), mas isso
aconteceu porque quem morreu já fui eu, vivo agora fechado numa ilusão e
num vício, apegado ao telemóvel)
QUEM MANDOU A FLECHA, FUI EU
(mas quem se auto destruiu fui eu)
QUEM MANDOU A FLECHA, FUI EU
(fui eu que me deixar chegar a este ponto, a culpa não é de mais ninguém)
-----------------------------------
Isto
não se devia fazer cada um deveria fazer a sua viagem … mas pareceu-me a
forma mais simples de tentar explicar a minha posição perante ataques
cerrados…
Concluindo, não só a letra é rica, como a temática que a mesma pode abordar.
Isto
foi apenas um exemplo feito rapidamente, esta letra deixa espaço para
outras viagens com nuances diferentes e mais ou menos específicas como
por exemplo o sofrimento referido ser especificamente por causa de
alguém que morreu (daí o telefonar para o céu … para matar a saudade …
de forma frustrada, ... partir o telemóvel), ou o sofrimento ser devido a
um amor passado pelo que no final das chamadas depois das discussões só
lhe apetecia partir o telemóvel …. deixo ideias para vocês fazerem a
vossa própria história :), para os menos criativos...
Conan
Osiris tem nos seus textos várias camadas, que servem para os
superficiais que se contentam com utilização de palavras engraçadas, do
dia a dia, bem articuladas e encadeadas a um bom ritmo e ao mesmo tempo
para os que apreciam viagens e abordagem a problemáticas/temas ao mesmo
tempo simples e complexos da nossa humanidade/sociedade. Daí a sua arte
ser (para alguns inexplicavelmente) tão transversal...
“Quem
afirma que falta talento a Conan Osiris pouco ou nada percebe de artes
performativas. O rapaz encontrou um estilo que não tínhamos visto até
agora em Portugal e conseguiu construí-lo e sublimá-lo a um ponto que
toda a imagética seja tão forte quanto a música”
A isto acrescento: igualmente para o seu texto/palavra … portanto o ARTISTA COMPLETO
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
UMA INJUSTIÇA CORRIGIDA...
Eles ganham mais do que elas? Entra hoje em vigor uma lei que o proíbe
Entra esta quinta-feira em vigor a nova lei da igualdade salarial em função do género. O princípio previsto é o do salário igual para trabalho igual e de igual valor.
(Fonte, Notícias ao Minuto).
As mulheres ganham, em
média, menos 15,75% do que os homens na remuneração de base. E quando em
cima da mesa estão quadros superiores, esta diferença salarial chega a
atingir os 26%, sendo que as mulheres auferem menos cerca de 600 euros
do que os homens. Estes são dados de 2016 do Ministério do Trabalho,
Solidariedade e Segurança Social, mas cenários idênticos a este terão um
fim à vista. Entra hoje em vigor a nova lei da igualdade salarial. terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
COM 15 ANOS E É DONO DUM PORSCHE...
Rapaz de 15 anos e tem um Porsche
– Onde conseguiste isso?
Calmamente ele responde:
– Acabei de o comprar.
– Com que dinheiro? Nós sabemos quanto custa um Porsche.
– Bem este custou-me 15 Euros.
– Quem venderia um carro destes por 15 euros????
– A senhora ali em cima da rua.Ela viu-me passar de bicicleta e perguntou-me se eu queria comprar o Porsche por 15 euros.
– Santo deus – exclamou a mãe, deve abusar das crianças. João vai já lá cima ver o que se passa…
O pai foi a casa da senhora enquanto ela plantava calmamente petúnias no jardim apresentou-se como sendo o pai do rapaz a quem ela tinha vendido o Porsche e perguntou-lhe por que tinha feito aquilo.
Bem – disse ela – Hoje de manhã o meu marido ligou pensei que estava numa viagem de negócios, mas não. Fugiu e foi de férias com a secretária para o Havai e pediu-me que lhe vendesse o Porsche e lhe mandasse o dinheiro, e eu vendi.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
domingo, 10 de fevereiro de 2019
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
NO CONSULTÓRIO DA UROLOGISTA...
Paciente para a médica urologista:
– A senhora jura que não vai rir – perguntou o paciente.
– Claro que sim. respondeu exaltada. Sou uma profissional da saúde. Existe um código de ética em questão. Em mais de 20 anos de profissão nunca ri de nenhum paciente.
– Tudo bem, então, – disse o paciente.
E deixou cair as calças, revelando o menor órgão sexual masculino que ela havia visto na vida. Considerados o comprimento e o diâmetro, não era maior do que uma bateria AAA (pilha palito). Incapaz de controlar-se, a médica começou a dar risadas e não conseguia mais segurar o ataque de riso. Poucos minutos, recuperando a compostura.
– Sinto muitíssimo, – disse ela. Não sei o que aconteceu comigo. Dou minha palavra de honra de médica e de dama que isso nunca mais acontecerá. Agora diga-me, qual é o problema?
– Tá inchado.
– A senhora jura que não vai rir – perguntou o paciente.
– Claro que sim. respondeu exaltada. Sou uma profissional da saúde. Existe um código de ética em questão. Em mais de 20 anos de profissão nunca ri de nenhum paciente.
– Tudo bem, então, – disse o paciente.
E deixou cair as calças, revelando o menor órgão sexual masculino que ela havia visto na vida. Considerados o comprimento e o diâmetro, não era maior do que uma bateria AAA (pilha palito). Incapaz de controlar-se, a médica começou a dar risadas e não conseguia mais segurar o ataque de riso. Poucos minutos, recuperando a compostura.
– Sinto muitíssimo, – disse ela. Não sei o que aconteceu comigo. Dou minha palavra de honra de médica e de dama que isso nunca mais acontecerá. Agora diga-me, qual é o problema?
– Tá inchado.
domingo, 3 de fevereiro de 2019
PROFESSORES CANSADOS E RENDIDOS...
"CANSEI-ME... RENDO-ME..."
Leonardo
Haberkorn, jornalista e escritor, era professor numa universidade de
Montevideo. Corre na internet um artigo seu publicado em papel, em 2015,
com o título "Me cansé... me rindo...", onde declara ter deixado o
ensino, que antes o apaixonava, e explica porquê.
Tomámos
a liberdade de o traduzir, pois, por certo, ele tocará muitos
professores e directores de escolas portuguesas. Desejável é que tocasse
instâncias superiores e, de modo mais alargado, a sociedade.
"Depois de muitos e muitos anos, hoje dei a última aula na Universidade.
Cansei-me de lutar contra os telemóveis, contra o whatsapp e contra o facebook. Ganharam-me. Rendo-me. Atiro a toalha ao chão.
Cansei-me
de falar de assuntos que me apaixonam perante jovens que não conseguem
desviar a vista do telemóvel que não pára de receber selfies.
Claro que nem todos são assim. Mas cada vez são mais
Até
há três ou quatro anos a advertência para deixar o telemóvel de lado
durante 90 minutos, ainda que fosse só para não serem mal-educados,
ainda tinha algum efeito.
Agora não. Pode ser que seja eu, que me desgastei demasiado no combate. Ou que esteja a fazer algo mal.
Mas
há algo certo: muitos desses jovens não têm consciência do efeito
ofensivo e doloroso do que fazem. Além disso, cada vez é mais difícil
explicar como funciona o jornalismo a pessoas que o não consomem nem
vêem sentido em estar informadas.
Esta
semana foi tratado o tema Venezuela. Só uma estudante entre 20
conseguiu explicar o básico do conflito. O muito básico. O resto não
fazia a mais pequena ideia. Perguntei-lhes (...) o que se passa na
Síria? Silêncio. Que partido é mais liberal ou que está mais à
'esquerda' nos Estados Unidos, os democratas ou os republicanos?
Silêncio. Sabem quem é Vargas Llosa? Sim!
Alguém
leu algum dos seus livros? Não, ninguém! Lamento que os jovens não
possam deixar o telemóvel, nem na aula. Levar pessoas tão desinformadas
para o jornalismo é complicado.
É
como ensinar botânica a alguém que vem de um planeta onde não existem
vegetais. Num exercício em que deviam sair para procurar uma notícia na
rua, uma estudante regressou com a notícia de que se vendiam, ainda,
jornais e revista na rua.
Chega
um momento em que ser jornalista é colocar-se na posição do contra.
Porque está treinado a pôr-se no lugar do outro, cultiva a empatia como
ferramenta básica de trabalho.
E
então vê que estes jovens, que continuam a ter inteligência, simpatia e
afabilidade, foram enganados, a culpa não é só deles. Que a incultura, o
desinteresse e a alienação não nasceram com eles.
Que
lhes foram matando a curiosidade e que, com cada professor que deixou
de lhes corrigir as faltas de ortografia, os ensinaram que tudo é mais
ou menos o mesmo. Então, quando compreendemos que eles também são
vítimas, quase sem darmos conta vamos baixando a guarda.
E
o mau é aprovado como medíocre e o medíocre passa por bom, e o bom, as
poucas vezes que acontece, celebra-se como se fosse brilhante. Não quero
fazer parte deste círculo perverso. Nunca fui assim e não serei assim.
O
que faço sempre fiz questão de o fazer bem. O melhor possível. E não
suporto o desinteresse face a cada pergunta que faço e para a qual a
resposta é o silêncio. Silêncio. Silêncio. Silêncio. Eles queriam que a
aula terminasse. Eu também."
Talvez
o pior de tudo seja o facto de aqueles alunos irem ser Adultos amanhã,
sem terem crescido nem amadurecido, cheios de Direitos sem Deveres nem
Responsabilidade… alguns até Políticos ou Governantes…

sábado, 2 de fevereiro de 2019
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